Banquês sem comichices

Taxa ou Tosta Mista?

Com o spread arrumado, o Quim achava que já tinha percebido tudo. Até o gestor lhe perguntar: “Prefere taxa fixa, variável ou mista?” Ao ouvir “mista”, o Quim só conseguiu pensar em fiambre e queijo. E deu-lhe fome.

Mas vamos por partes. Na taxa fixa, a taxa de juro fica igual durante o período combinado. Aconteça o que acontecer à Euribor, a prestação não mexe. É como pedir sempre a mesma bifana na tasca do costume: sem surpresas, sabes exatamente quanto vais pagar. O reverso também é verdade: se a Euribor descer, a tua prestação não desce com ela.

Na taxa variável, a taxa acompanha a Euribor e é revista de tempos a tempos, de acordo com o prazo do indexante: a cada 3, 6 ou 12 meses. Quando a Euribor desce, a prestação desce com ela. Quando sobe… também. É o prato do dia: às vezes calha bem, às vezes nem por isso. Por isso pede mais folga no orçamento.

E a taxa mista? Aqui sim, é a tosta mista do crédito: um bocadinho de cada. Começa com taxa fixa durante um período inicial e depois passa a variável. Assim, tens uns anos de tranquilidade no arranque, que é quando a casa nova ainda pede móveis, cortinas e uma máquina de lavar roupa. A da loiça pode esperar.

Na prática, o que muda entre as três é a forma como a taxa de juro é calculada. Na fixa, o valor fica escrito no contrato desde o primeiro dia. Na variável, a taxa resulta da soma da Euribor com o spread, e é por isso que se mexe a cada revisão. Na mista, a duração do período fixo também fica definida no contrato, e quando ele termina passa a aplicar-se a regra da variável: Euribor mais spread.

Não há uma opção certa para toda a gente. Antes de escolher, o Quim respondeu a duas perguntas:

1. Qual é a prestação máxima que consigo pagar sem apertar o cinto até ao último furo?

2. Quanto vale para mim saber exatamente o que vou pagar nos próximos anos?

 

E comparou as três opções com o mesmo montante e o mesmo prazo, olhando para a TAEG e o MTIC de cada uma.

O Quim pensou no que lhe dava mais sossego e escolheu com calma. No Banco Montepio explicaram-lhe tudo sem pressas, e ele lá foi, finalmente, comer uma tosta. Mista, claro.

Queres dominar o Banquês como o Quim e o Zé? Fica a saber mais.

<b>Euribor é como o colesterol?</b>

Euribor é como o colesterol?

O Quim encontrou a casa: boa luz, perto do trabalho e uma prestação que não lhe ia levar um rim. Faltava a aprovação do crédito. No banco, ouviu "Euribor a 6 meses mais 0,7% de spread" e fez o que qualquer pessoa faz quando ouve três palavras seguidas que não percebe: acenou com a cabeça.

<b>Euribor é como o colesterol?</b>

Euribor é como o colesterol?

O Quim ainda nem tinha começado a ver casas e já ouvia falar dela. No telejornal, no café, ao jantar de família: "A Euribor subiu", "A Euribor desceu". Parecia o tio a falar das análises. E a comparação não é assim tão disparatada. A Euribor é a taxa de juro a que os bancos da zona euro emprestam dinheiro uns aos outros.

<b>TAEG quê?</b><br>

TAEG quê?

Na primeira proposta que recebeu, o Quim encontrou uma sigla nova: TAEG. Leu-a em voz alta e soou-lhe a espirro. O gestor ainda lhe disse "santinho", mas a dúvida continuou lá. TAEG quer dizer Taxa Anual Efetiva Global.