O Quim encontrou a casa: boa luz, perto do trabalho e uma prestação que não lhe ia levar um rim. Faltava a aprovação do crédito. No banco, ouviu “Euribor a 6 meses mais 0,7% de spread” e fez o que qualquer pessoa faz quando ouve três palavras seguidas que não percebe: acenou com a cabeça.
O spread não é bread: não é pão, não se come e não se compra no supermercado. É uma das partes da taxa de juro do teu crédito.
Imaginemos novamente uma tasca: a bifana não se vende só ao preço do pão e do molho, porque também existem a renda, a luz e quem a serve ao balcão. No crédito é parecido. A Euribor é a referência para o custo do dinheiro, e o spread é a margem que o banco lhe junta: reflete o risco do empréstimo, os custos de funcionamento e a margem comercial.
A Euribor sobe e desce, e não vale a pena discutir com ela, porque não tem sentimentos. O spread é diferente: é definido quando contratas e, na maioria dos casos, mantém-se até ao fim do empréstimo. Uma relação saudável, digamos.
Em números, é simples: se a Euribor estiver nos 2% e o spread for de 0,7%, a taxa de juro do crédito fica em 2,7%.
O valor do spread não é igual para toda a gente. O banco olha para vários fatores:
- Quanto pedes face ao valor da casa (o chamado LTV): quanto menor a percentagem financiada, menor tende a ser o risco. Na habitação própria permanente, o Banco de Portugal limita este rácio a 90%.
- A taxa de esforço: a parte do teu rendimento líquido mensal que vai para prestações de crédito.
- Os teus rendimentos e a estabilidade profissional.
- O teu historial de crédito, incluindo o que consta na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal.
Há ainda um pormenor a confirmar no contrato: alguns spreads têm uma bonificação que depende de teres outros produtos no banco, como o ordenado domiciliado, cartões ou seguros. Se essas condições deixarem de se cumprir, o spread pode subir. Por isso, convém saber qual é o spread base, qual é o bonificado e o que é preciso para manter a diferença.
É no início que vale a pena olhar bem para ele.
O Quim percebeu tudo e, no Banco Montepio, nem precisou de grandes negociações. Avançou assim, sem dramas nem complicações.