Na primeira proposta que recebeu, o Quim encontrou uma sigla nova: TAEG. Leu-a em voz alta e soou-lhe a espirro. O gestor ainda lhe disse “santinho”, mas a dúvida continuou lá.
TAEG quer dizer Taxa Anual Efetiva Global. É um nome comprido para uma ideia simples: mostra quanto te custa o crédito no total, por ano. A taxa de juro que aparece na proposta chama-se TAN (Taxa Anual Nominal) e conta apenas os juros. A TAEG junta-lhes os outros encargos do empréstimo, como comissões, seguros obrigatórios e impostos.
Imaginemos uma tasca. A TAN é o preço da bifana. A TAEG é a conta toda, já com a imperial, o café e o pastel de nata que pediste no fim, porque “já agora”. E é essa conta que acabas por pagar.
Por isso, quando comparares propostas, não olhes só para a taxa de juro. Olha para a TAEG. Duas bifanas podem custar o mesmo, mas a conta final pode ser bem diferente.
E onde a encontras? Na Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE), um documento que o banco entrega antes de assinares. Na FINE está também o MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor), que é, literalmente, o total que vais pagar até ao fim do empréstimo, com juros e encargos incluídos. Se a TAEG é a conta por ano, o MTIC é a conta de todos os almoços até ao último.
Para a comparação ser justa, as propostas têm de ter:
- o mesmo montante;
- o mesmo prazo: uma TAEG a 30 anos não se compara com outra a 35;
- o mesmo tipo de taxa.
Nos créditos com taxa variável há ainda um pormenor a ter em conta. A TAEG é calculada como se a Euribor ficasse sempre igual, por isso mostra o custo no momento da proposta e não garante quanto vais pagar no futuro.
O Quim guardou a lição: primeiro a TAEG, depois o MTIC, e só então o resto. No Banco Montepio mostraram-lhe a conta toda, sem letras pequeninas nem surpresas. E ele nunca mais espirrou ao ler uma proposta.